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quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Lidador - Baía de Angra do Heroismo

Durante as minhas férias na Ilha Terceira em Julho do corrente ano, tive a notícia de que tinha sido recentemente criado o primeiro parque arqueológico subaquático dos Açores e que este dava os primeiros passos na baía de Angra do Heroísmo. Era agora permitido aos amantes do mergulho e da arqueologia visitar algum do espólio arqueológico da baía até então vedado aos comuns dos mortais. Os locais visitáveis são: “Cemitério de ancoras” e ”Vapor Lidador”.

Animados com a notícia, planeamos o nosso mergulho. Esperámos dias a fio pelas condições ideais para o mergulho. Como íamos efectuar um mergulho em apneia, era necessário que pelo menos a visibilidade fosse boa. Finalmente estavam reunidas as condições para o mergulho. Vestimos o equipamento e fizemo-nos à agua a partir do cais da Figueirinha. Nadamos até ás bóias que sinalizavam o naufrágio (50m) e descemos pelos seus cabos.

O mergulho foi espectacular, durante mais de uma hora mergulhamos vezes sem conta, quase nos esquendo de vir respirar.

O naufrágio do vapor Lidador

Em 1878, naufraga na Baía de Angra do Heroísmo, o vapor brasileiro Lidador. Hoje em dia, o Lidador ainda se revela imponente por sob as águas da Baía. Com efeito, o que resta do seu casco prolonga-se por cerca de oitenta metros numa direcção noroeste-sudoeste, com a proa apontada à Prainha.

Ainda bem visível, a sua engrenagem revela a turbina e o veio do hélice, ao qual se unem as bóias de amarração do Clube Náutico.

Situado, em média, entre a 5 metros e os 9 metros de profundidade, o Lidador é facilmente acessível ao mergulho em apneia. Com parte do casco ainda em bom estado, o Lidador constitui um bom testemunho da navegação do século passadoe proporciona um vivo testemunho daquele que foi um dos últimos naufrágios a ocorrer na Baía de Angra.

No final de Janeiro de 1878 chegava ao porto do Faial o vapor brasileiro de dois mastros de nome Lidador, pertencente à Empresa Transatlântica de Navegação. Tipicamente característico de uma época de transição, dividido entre a motorização a vapor e o recurso ao velame, este navio era propulsionado por uma única turbina e um único hélice.

Após o embarque dos emigrantes e dos passageiros faialenses que tinham o Brasil como seu destino final, o vapor rumou à Terceira naquela que seria a sua última escala. Ao chegar à vista da cidade de Angra, o navio ancorou por fora das fortalezas - ou seja, para o exterior do alinhamento formado pela Ponta de Santo António, no Monte Brasil, e pelo Forte de São Sebastião.

No porto encontravam-se já outros três barcos, todos à vela e todas de madeira: o patacho Angrense, o patacho inglês Jane Wheaton e o lugre, também inglês, Zebrina. As lanchas do porto imediatamente se dirigiram ao Lidador e depressa se iniciou o embarque dos emigrantes e das respectivas bagagens.

Ao anoitecer do dia 6 de Fevereiro, com as operações de embarque ainda a metade realizadas, o vento principiou a soprar com mais violência e a rondar para o quadrante sul. Pouco mais tarde, o vento soprava de sueste e tornava-se no tão temido vento Carpinteiro. Preso na armadilha, ao Lidador restava apenas recorrer àquilo que o tornava diferente dos barcos que anteriormente se tinham deparado, nesta zona, com a mesma situação. Com efeito, a energia da máquina a vapor possibilitava às embarcações dela dotadas fugirem da costa de modo a aguentarem, ao largo, o correr do mar. O perigo residia, não na tormenta, mas sim na proximidade da costa.

Na ânsia de se escapar à tempestade, a tripulação do Lidador deixa descair a âncora e não a consegue recolher atempadamente. Devido a este percalço, o navio gira em torno da amarração e acaba por embater, a 7 de Fevereiro, no recife submerso que se prolonga pela ponta do Forte de São Sebastião por mais de duzentos metros. Esta restinga, responsável por inúmeras perdas de embarcações no passado, desfere um autêntico golpe fatal ao navio. Com efeito, a colisão provoca um rombo no casco e a submersão da máquina pela água do mar, o que apaga as caldeiras explodindo, quase de imediato, devido à sobrepressão do vapor. O navio fica à deriva e à mercê do vento que o impele, inexoravelmente, em direcção a terra, fazendo-o colidir com o Jane Wheaton e quebrando-lhe o mastro do gurupés. Finalmente, acaba por encalhar paralelamente ao cais da Figueirinha, a não mais de cinquenta metros de distância da costa.Os náufragos, em pânico, são evacuados pelos botes dos navios ancorados e pela lancha da cidade, não sem experimentarem alguma dificuldade devido à agitação do mar no interior da Baía.

Links

Mergulho Arqueológico

Cruzado

A União. Jornal online

1 comentário:

PSeven disse...

Bem, acho que vou ter o previlégio de ser o primeiro a comentar. E, se eu disser apenas, que fiquei com vontade de dar um mergulho e de ir ver o Lidador? Bom post bolota. Continua.

Um abraço